| ferhr ( @ 2007-02-24 17:38:00 |
pt_BR: Morram, defensores de alguma liberdade.
Escrevo este texto em português por um simples motivo: porque ele terá maior alcance com quem é daqui do que outrem.
Cansei da ideologia. Para quem é ideólogo ou filósofo, o próprio fato de rechaçar as ideologias é parte de uma dialética. Para fins de classificação é bem verdade; para mim não passa mais do que ser sensato.
Os valores que a pessoa carrega ao longo da sua vida importam apenas para si. Estes são reais (quando percebidos de forma correta) e refletem realmente o que a pessoa pensa -- ou seja, é opinião impregnada de vivência. Isso é parte do que é cada um; é difícil assumir de forma diferente. Difícil mas não impossível, diga-se: uma boa educação e uma dose de empirismo básico resolvem quando a pessoa que tem um certo conjunto de valores resolve perceber como o mundo é.
Portanto, para você mudar de opinião sobre algo para ter a opinião correta -- aquela que vêm da observação do mundo, e não apenas do seu próprio mundinho onde as coisas são como você imagina -- é uma questão de tempo. Às vezes, abandonar certas "crenças" dói. Errar e perceber dói (errar, por si, é inconsciente, e faz parte da natureza humana).
Em última instância, se pararmos para pensar, as nossas opiniões não importam. E não é pela variedade delas -- todos têm uma. Mas sim pela importância no real contexto das coisas -- o mundo concreto: para a natureza, a humanidade não passa de alguns (numerosos?) macacos. Daí a desimportância, em última instância, de tudo. É um dos motivos pelos quais resolvi abandonar algumas convicções: além de não funcionarem, não importam.
Neste momento você provavelmente estará pensando: mas o mundo vale a pena ser mudado. Claro que vale! Isso é óbvio, quando se percebe a autodeterminação do homem. Dá prazer. Mas o mudar requer um resultado, um destino, uma direção. Uma ideologia. Pode-se tolerar um pouco da ideologia, mas em última instância a única que interessaria seria a continuação da humanidade -- para uma melhor continuação, a paz é requerida -- e, se tem uma coisa incompatível com a paz (convivência, serenidade, etc...) , é a ideologia.
Adotar uma ideologia implica negar as idéias opostas, mesmo que sejam as mais adequadas para o último gol, que seria a tranqüilidade (ou paz, ou aquele sentimento de convivência que é indefinível pela exata razão que as linguagens são feitas em cima da ideologia, e não permitem toda expressão possível). As ideologias mais visíveis são a direita e a esquerda.
Quem é de direita/esquerda acredita num conjunto de valores fixos, imutáveis, que inevitavelmente levam à uma conclusão. Me dá nojo citar os objetivos de cada lado; são todos anti-humanos e contra a natureza (não a natureza humana, mas o próprio ambiente). É desanimador ver, de um lado, pessoas que julgam que Chávez é a segunda vinda de Cristo, e que sabidamente não chorarão quando Fidel descarrilhar para o vazio que é a morte. Do outro lado, é chocante ver pessoas que conseguem sentir um pingo de admiração por imitações de ser humano como Ann Coulter, e lêem a Veja como se tivesse alguma verdade ali.
Daí a constatação: as ideologias não são eternas; são um prazer momentâneo; às vezes só o fato de lutar por uma dá uma sensação prazerosa, por mais inviável que seja o outro mundo possível ou por mais cretina que seja a defesa do atual.
Isso tudo denota a preguiça intelectual que há, onde as idéias são emprestadas, onde há classificações morfologicamente corretas para todos os sentimentos, e onde vivemos na esperança de soluções simplistas para problemas complexos. Olhando mais fundo (e sem muito apego) percebe-se o quanto é fútil todo esse esforço de levar as coisas para um lado ou de outro do espectro ideológico: realmente não há maior sentido nas coisas do mundo.
Sem maior ponderação, o pessimismo é evidente. Mas o pessimismo é uma escolha, então é ainda sim divertido ver os macacos degladiando-se por uma bandeira ou por outra, com um pedaço de madeira com uma imagem de santo na mão ou incendiando bandeiras ianques; é divertido sim, porque só livre da necessidade de achar um sentido é que pode-se rir da piada que é a vida.
Ah, em especial, morram os utilitaristas (que é o que vocês são, seus macacos-sem-rabo da direita, esquerda e centro).
Escrevo este texto em português por um simples motivo: porque ele terá maior alcance com quem é daqui do que outrem.
Cansei da ideologia. Para quem é ideólogo ou filósofo, o próprio fato de rechaçar as ideologias é parte de uma dialética. Para fins de classificação é bem verdade; para mim não passa mais do que ser sensato.
Os valores que a pessoa carrega ao longo da sua vida importam apenas para si. Estes são reais (quando percebidos de forma correta) e refletem realmente o que a pessoa pensa -- ou seja, é opinião impregnada de vivência. Isso é parte do que é cada um; é difícil assumir de forma diferente. Difícil mas não impossível, diga-se: uma boa educação e uma dose de empirismo básico resolvem quando a pessoa que tem um certo conjunto de valores resolve perceber como o mundo é.
Portanto, para você mudar de opinião sobre algo para ter a opinião correta -- aquela que vêm da observação do mundo, e não apenas do seu próprio mundinho onde as coisas são como você imagina -- é uma questão de tempo. Às vezes, abandonar certas "crenças" dói. Errar e perceber dói (errar, por si, é inconsciente, e faz parte da natureza humana).
Em última instância, se pararmos para pensar, as nossas opiniões não importam. E não é pela variedade delas -- todos têm uma. Mas sim pela importância no real contexto das coisas -- o mundo concreto: para a natureza, a humanidade não passa de alguns (numerosos?) macacos. Daí a desimportância, em última instância, de tudo. É um dos motivos pelos quais resolvi abandonar algumas convicções: além de não funcionarem, não importam.
Neste momento você provavelmente estará pensando: mas o mundo vale a pena ser mudado. Claro que vale! Isso é óbvio, quando se percebe a autodeterminação do homem. Dá prazer. Mas o mudar requer um resultado, um destino, uma direção. Uma ideologia. Pode-se tolerar um pouco da ideologia, mas em última instância a única que interessaria seria a continuação da humanidade -- para uma melhor continuação, a paz é requerida -- e, se tem uma coisa incompatível com a paz (convivência, serenidade, etc...) , é a ideologia.
Adotar uma ideologia implica negar as idéias opostas, mesmo que sejam as mais adequadas para o último gol, que seria a tranqüilidade (ou paz, ou aquele sentimento de convivência que é indefinível pela exata razão que as linguagens são feitas em cima da ideologia, e não permitem toda expressão possível). As ideologias mais visíveis são a direita e a esquerda.
Quem é de direita/esquerda acredita num conjunto de valores fixos, imutáveis, que inevitavelmente levam à uma conclusão. Me dá nojo citar os objetivos de cada lado; são todos anti-humanos e contra a natureza (não a natureza humana, mas o próprio ambiente). É desanimador ver, de um lado, pessoas que julgam que Chávez é a segunda vinda de Cristo, e que sabidamente não chorarão quando Fidel descarrilhar para o vazio que é a morte. Do outro lado, é chocante ver pessoas que conseguem sentir um pingo de admiração por imitações de ser humano como Ann Coulter, e lêem a Veja como se tivesse alguma verdade ali.
Daí a constatação: as ideologias não são eternas; são um prazer momentâneo; às vezes só o fato de lutar por uma dá uma sensação prazerosa, por mais inviável que seja o outro mundo possível ou por mais cretina que seja a defesa do atual.
Isso tudo denota a preguiça intelectual que há, onde as idéias são emprestadas, onde há classificações morfologicamente corretas para todos os sentimentos, e onde vivemos na esperança de soluções simplistas para problemas complexos. Olhando mais fundo (e sem muito apego) percebe-se o quanto é fútil todo esse esforço de levar as coisas para um lado ou de outro do espectro ideológico: realmente não há maior sentido nas coisas do mundo.
Sem maior ponderação, o pessimismo é evidente. Mas o pessimismo é uma escolha, então é ainda sim divertido ver os macacos degladiando-se por uma bandeira ou por outra, com um pedaço de madeira com uma imagem de santo na mão ou incendiando bandeiras ianques; é divertido sim, porque só livre da necessidade de achar um sentido é que pode-se rir da piada que é a vida.
Ah, em especial, morram os utilitaristas (que é o que vocês são, seus macacos-sem-rabo da direita, esquerda e centro).